Em busca de um caminho



A utilização das drogas no domínio da população sadia

As drogas têm o um dos maiores poderes de declínio na nossa sociedade. Com a ilusão de transferência a outro plano, mais sensível e mais belo, é a ilusão que propõem a utilização das drogas. Ela não muda a realidade, apenas anestesia o ser e o deixa desplugado do seu dia a dia.
Geralmente, que a utiliza está tomado por uma rotina que não consegue alterar. São indivíduos que não conseguem separar o bem estar em sua vida cotidiana, como uma curva ascendente, que o trabalho e a dedicação leva o ser humano. Com as drogas há uma pseudo- abstração da realidade, onde os significados são transpostos de sua condição humana para assumir caráter religioso ou transcendente.


O que acontece é que o indivíduo segue um falso atalho que o faz acreditar que ele é um ser completo. O viciado deixa de buscar o domínio completo das relações sociais que precisa estabelecer para que sua realização possa ser fato, e se esconde atrás de um grupo onde a droga é aceita, ou dentro de seu mundo, onde as desculpas para seu insucesso será sempre revestida pela face do consumo das drogas, que socialmente, tem o nome de lazer.

O lazer quando não é compartilhado entre as sensações normais, como apreciar um novo lugar, ouvir uma música, desenhar, praticar um esporte como amador, passear com os filhos, mas é tomado pelo uso das drogas, as pessoas viciadas vestem a roupa de um transitório sucesso, que na verdade, é sua ruína. Isso quer dizer que o drogado tem um reflexo de uma pessoa pública famosa, e quer, a qualquer custo, estar em sintonia com aquela pessoa. Faz isso para se aproximar de seu nome, de sua glória, mas esquece que seu corpo está completamente entorpecido pela droga, e que perde o domínio de suas sensações humanas, sendo mero joguete social.

Um exemplo:
Um músico famoso, com vários CDs gravados tem sucesso nacional e internacional. Uma pessoa que gosta de música começa a cantar as suas músicas e para se sentir igual ao cantor famoso ele utiliza de drogas para sentir uma falsa sensação de sucesso. Isso é um encurtamento das relações sociais que se deve estabelecer para se tornar um grande cantor. O que para o músico famoso é um trabalho, para o viciado é lazer, e a droga tem esse efeito transcendental falso, que não deixa o drogado perceber realmente como é dada a realidade de seu prazer.

A utilização das drogas não facilita as relações sociais, pelo contrário, as atrapalha e não deixa as pessoas sentirem toda a capacidade de compreensão dos sentidos. A capacidade de extensão que pode chegar a leitura das sensações humanas é praticamente infinita, e para poder estender cada sentido é preciso disciplina e dedicação. A droga não deixa o ser humano lúcido, embaralha essa leitura e falseia o tempo. A droga faz o cronômetro interno parar, e o indivíduo pensa que é uma pessoa realizada, como um deus, e não mais uma pessoa normal, que caminha em direção a perfeição, com um objetivo pessoal, para que depois outra pessoa em sintonia com seus ideais possa continuar seus estudos ou trabalho.

A droga não ajuda as pessoas a se unirem. É um festival de doenças somáticas que se estabelece, onde a exposição das chagas pessoais parece o único motivo para a união do grupo. O problema é que não há a discussão sensata para a solução dos problemas, mas somente a sua exposição. Ou seja, o grupo onde a droga é contemplada apenas expõe seus problemas pessoais, mas não os resolve. São pessoas que somente sabem reclamar e tem na vida uma rotina de trabalho e aceitação da realidade. Não se sentem agentes sociais com consciência e atitude, mas são meras peças que unicamente servem para girar uma engrenagem social, imutável. São pessoas que somente sabem reclamar, não sabem trabalhar em comunhão com a evolução humana e não se sentem parte dos formadores de opinião.

Quando há o uso moderado da droga, em sua mínima e necessária dose, o efeito pode reverter-se. Em vez de anestesiar a mente, pode ser apenas uma necessária e normal aceitação da inferioridade pessoal em relação a outro ser humano.

Nem todos podem ser músicos, nem todos podem ser pilotos de avião, militar ou ator. Mas ao invés de sentir inveja pelo o que se quer ser e não se é, pode sim, sentir admiração. Nesse sentido a droga na sua mínima dose pode servir como um anestesiador da violência espontânea que a inveja pode assumir. Mas para isso acontecer, a violência não pode ser estimulada, mas sim, a contemplação do ser humano pelo ser humano.

A diferenciação dessa leitura é muito tênue. Como identificar a contemplação do uso abusivo. A pessoa pode dizer que somente usa droga uma vez por semana, mas naquela vez por semana, ele pode ser um viciado.

O que diferencia é o autoritarismo pessoal em busca do prazer. Ser autoritário neste momento é deflagrar sua inveja pessoal a outro ser.

O que diferencia é a mentira. Mentir neste momento de contemplação é regredir e gerar expectativas pessoais que não correspondem à realidade.

Ser egoísta é nesse momento é ter a mente em regressão intelectual. Não querer dividir a busca da emancipação humana pelos sentidos é querer isolar-se para depois utilizar desse conhecimento para oprimir.

Ou seja, todos os sentimentos renegados socialmente são as máscaras utilizadas pelo viciado para oprimir o ser lúcido. A droga deixa de ser um instrumento de contemplação e passa a ser utilizada para a subjugação. Então, a pessoa sadia deve estar alerta para essa diferenciação e não se misturar, a não ser que esteja no local para o tratamento dessas pessoas doentes de má índole.


Divisão do tratamento:

O tratamento para o doente pode estar em três níveis:
O primeiro é quando automaticamente o doente aceita o tratamento. Para que aceite o tratamento ele precisa encontrar dentro do ambiente as soluções que o levaram a trilhar o caminho da cura. Aceita espontaneamente, mas deixa claro que, se não conseguir atingir seus objetivos dentro das regras estabelecidas pela ciência, utilizará os valores de sua doença para conseguir atingir sua meta. Ou seja, segue o caminho inverso da cura e se perde dentro dos valores falsos, como mentira, inveja, autoritarismo, etc. Para isso, o cientista deve ter o controle social dentro da totalidade do doente, para que as atitudes do paciente possam ser correspondidas conforme suas ações. Neste nível, o paciente somente quer que realmente se estabeleça as conjecturas do cientista, ou seja, a estrutura social deve estar apta a corresponder a evolução do tratamento.

O segundo nível é quando o paciente aceita parcialmente o tratamento. Neste nível o paciente precisa do afeto do cientista. Nesse nível, o paciente não aceita as explanações do cientista mas, se houver um leve contato de amizade, o paciente cede e segue seus conselhos. Este paciente tem um leve distúrbio de atenção, já que não encontra dentro do local de tratamento as respostas para as perguntas pessoais. Mas, à medida que o cientista o estuda, o paciente revela seus desejos pessoais, e o cientista pode estudar e começar a estruturar as relações sociais que se estabelecem na composição do desejo desse paciente.

Esse paciente precisa de uma leve dose de reclusão que será trocada à medida que o cientista oferecer as respostas as perguntas que necessita a estruturação do paciente. Enquanto as respostas são construídas, as doses homeopáticas de afeto do cientista servirão para que o paciente sinta-se livre para falar de si e do que deseja para sua vida.

O terceiro nível é quando o paciente precisa de reclusão. Nesse caso o paciente não tem nenhuma estrutura social. O paciente não possui um sonho a que buscar, está completamente ausente das relações de trabalho, social. Procura nas pessoas o que não tem, como a figura do pai, ou a figura da mãe, assim por diante. Não consegue distinguir os papéis sociais que cada pessoa possui e faz uma completa mistura em sua mente, não sabendo dizer quem é quem. Nesse caso é necessária a reclusão da pessoa para sua mente seja redistribuída com os valores sociais que cada pessoa corresponde na sociedade. O que há, é uma não aceitação de sua realidade. O doente não percebe o seu potencial de mudança diante da realidade, é passivo e não busca suas próprias respostas.

Nesse caso, o mais grave, o cientista deve estar ciente que a mente do paciente não faz conexões exatas diante da realidade. Não sabe distinguir um professor de um pai, por exemplo. O cientista deverá dividir a rotina do paciente e dar a ele a reinterpretação da leitura da realidade para que o doente possa interagir racional/sensivelmente com a sociedade. Então, o cientista deverá desenhar o papel da pessoa até que ele chegue ao nível dois e possa, diante de sua nova realidade, ter escolhas próprias e seguir o seu caminho, aí, já dentro do nível um.

DROGA – Tudo aquilo que afasta o ser humano da leitura racional da realidade.

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