Pesquisas de campo na ciência da comunicação

A continuação do trabalho de pesquisa é sempre algo que rompe as fronteiras da lógica e do raciocínio. Estabelecer padrões é a busca da ciência, então ousar desafiar a ignorância será sempre um objetivo.

Em uma escola pública do Estado, em Santa Catarina, está sendo realizada a pesquisa com crianças. Mas é preciso detalhar o motivo da escolha da escola para fazer os testes.
Historicamente, durante o período de ditadura no Brasil, houve uma intensa deterioração do nível de ensino nas escolas básicas e de ensino médio. O objetivo disto, claramente, foi manter a grande parte da população a parte dos movimentos a ações que regem o nosso país. Ainda hoje, as escolas são um verdadeiro caos, onde a esperança dificilmente encontra-se e os professores são verdadeiros heróis, quando tentam estimular as crianças e jovens a estudar.

Esta faixa etária, que estuda nestas escolas, são gravemente atingidas pelos meios de comunicação. Ou seja, não possuem referências para que o estudo e o trabalho sejam a principal ferramenta de lucidez e autonomia. Com esse estudo, fica o trabalho dos agentes sociais para a mudança urgente dessa realidade, já que, o nosso país deve tomar a dianteira em sua independência.

A primeira etapa da pesquisa, com crianças de 12 à 15 anos, foi perguntar como elas fariam para conseguir dinheiro de maneira urgente. As respostas variavam como pedir aos pais, tirar um empréstimo no banco, vender os pertences pessoais, pedir na rua, não pagar.
Ou seja, das crianças que se sentiram entusiasmadas a responder, nenhuma delas falou em trabalhar. Não há referência dentro de nossos meios de comunicação, familiar e social que estruture racionalmente o trabalho como forma de aquisição de bens materiais e imateriais. O trabalho não possui um enquadramento lógico que forneça o que a pessoa quer para si.
Esse resultado está direcionado a dois lados. Primeiro são os meios de comunicação, que não mostram como o trabalho pode ser desenvolvido pelas pessoas. Estão muito mais preocupados com o lucro, do que a educação e a formação do cidadão. O Estado hoje é muito pobre, não tendo o alcance necessário para informar a população.

O outro lado é a falta de realização pessoal da família com o trabalho. O trabalho parece ser mais uma forma de punição do que edificação do ser humano. Quando é mal remunerado acaba com as esperanças do trabalhador e de seus dependentes, quando é reconhecido financeiramente, é cercado pela violência. Então o trabalho como é concebido hoje, não cria referências positivas para as crianças e jovens.

O trabalho do cientista da comunicação é estabelecer relações positivas entre trabalho, família e sociedade. Para isto é necessário que se acabe com a divisão maquineísta, entre bem e mal, mas sim, que as pessoas possam se expressar, com seus sentimentos, sendo bom ou ruim no momento. É preciso que a busca pela razão seja sempre um princípio, rejeitando-se a violência, autoritarismo e desigualdade.

A expressão dos sentimentos com as linguagens disponíveis e suas expressões são as formas que a pessoa e a sociedade possuem para se comunicarem. Caso isto não exista, ou seja insuficiente, o que há é a divisão entre oprimidos e opressores, autoritários e passivos.

As expressões devem ser feitas pela expressão concreta ou abstrata da realidade. Uma casa é concreto, uma música, abstrato, comida equilibrada com nutrientes é concreto, carinho e atenção, abstrato, e assim por diante. O cientista deve estar consciente do que paciente deve receber e aprender a fazer para se enquadrar socialmente em sua família e sociedade. A atuação do cientista não é diretamente no paciente, nem da estrutura social, que são papéis da psicologia e sociologia, mas sim, na sua relação, na conexão que existe e que faz perdurar os sistemas pessoais e sociais. O cientista da comunicação trabalha a expressão, tanto individual com social. Para o sucesso do tratamento é necessário um constante estudo da história, sociologia, nutrição, psicologia, sempre estando atualizado aos novos resultados das pesquisas. Para que este estudo aconteça, é necessário um profundo intuito de interdisciplinaridade para que o cientista consiga fazer as ligações entre a pessoa e a sociedade e como poderá tratar o paciente.


Passo dois da pesquisa, resultados dentro da relação pessoa-sociedade.

Em continuidade a pesquisa de campo, foi possível analisar que as crianças que aceitaram o trabalho como forma de edificação pessoal, ficou claro a falta de imaginação para a estrutura da realidade, para que as suas expectativas possam ser concretizadas. A não ser em um caso, onde a criança já trabalha como aprendiz e já possuía interiorizado o que seria no futuro.

Todas as outras crianças dividiram o ter entre fazer o bem ou o mal, ou o estudo como uma forma de sustentar o fracasso. As crianças respondiam que fariam o que fosse para atingir o que queriam. Ou seja, o próximo, o indivíduo que a criança relaciona-se pouco importa, sendo mera decoração. Não sabem que somente podem receber em troca é o trabalho e dedicação e não a opressão na relação ter/não ter.

Para a criança que tem a escola com um local emergencial, caso seu sonho não se concretize, não sabe que a educação fornece elementos para que o indivíduo torne-se comunicável socialmente, fora de seu círculo familiar e de amizades pessoais. Independente de seu sonho, a educação é vista como secundária, e não primordial.

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