Quero desenhar

Quero desenhar aquele mundo que me falta
Quero falar dele como imaginei
A mim e a você
Desenhar sem parar, quase freneticamente
Por um mundo feliz, que mora na busca da perfeição
Da igualdade irrestrita, das aflições curáveis
Em um país mais colorido, ou nublado nos dias de mais aconchego
Ou de chuva, coisa de mulheres apaixonadas
Ser assim, com a caneta em punho
Desenhando um mundo melhor como uma criança
De pais de mãos dadas, de casa, árvore e sol brilhante em meio às nuvens
Em uma grama simplesmente verde
E depois de séculos poder desenhar como Modigliani
E levar a vida até ao seu fim, pois nada mais basta, além da morte
Além de desenhar o que já não é mais possível
Mas tantos se foram, tantos se acabaram
Jesus sabe disso, foi o primeiro e quem será o último?
Quero que meu desenho seja acompanhado de música clássica
Que venha como a força de um tsunami de flores
Que venha a por fim a toda a covardia de dois assaltantes
Assim, juntando palavras, assim fazendo poesia
Sou órfão de mim mesmo, sem eu mesmo sendo meu pai
Sem eu ser meu filho
Basta desenhar, basta trazer o futuro para hoje
Pois beleza é isso, irretocável e nos leva ao futuro, sem erros
Como ciência.

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